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Notícias - Gerenciamento de Projetos e Obras

Como a Crise impactou os serviços de engenharia no Brasil e como retomar o crescimento?

25/04/2018

Após um período de crise enfrentado por todos os setores, em especial pelo da Construção Civil, o segmento começou a esboçar uma tímida reação. Porém, os impactos foram profundos e alteraram o ambiente competitivo e as relações entre contratantes e contratados. Com este cenário, por iniciativa da PLANSERVICE, realizou-se em São Paulo no dia 22 de março, um debate para analisar e discutir estas questões, com a participação de especialistas do setor, gerando um conteúdo rico de informações, não só em formato de texto, mas também em áudio e vídeo, que pode ser conferido através desta edição especial do nosso boletim informativo.

Cenário da prestação de serviços de engenharia no Brasil

Nos últimos três anos, a economia brasileira desacelerou. As incertezas políticas levaram a uma queda nos investimentos, o que afetou todos os setores, principalmente a indústria da construção. Com menos dinheiro, grandes construtoras sendo desmanteladas pela Operação Lava-Jato e obras paradas, além de outros fatores conjunturais, como a queda do preço do barril de petróleo em 2015, o mercado da construção civil amargou números negativos pelo quarto ano consecutivo. Em 2017, a queda no PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil foi de 6%. Entre 2014 e 2017, o emprego com carteira assinada diminuiu em aproximadamente 1,2 milhão de postos de trabalho.

Os dados da FNE (Federação Nacional de Engenheiros) mostram o saldo entre admissões e demissões, ou seja, o número que sobra da subtração entre a quantidade de admitidos e a quantidade de demitidos. Desde 2014, esse saldo é negativo (veja no gráfico):

Fonte: Levantamento do Dieese com dados do Caged, a pedido da FNE (*Os dados de 2017 se referem ao período entre janeiro e abril)

Até o final de 2017 os números ainda não haviam mudado, colocando os Engenheiros, como os profissionais de nível superior e com mais de 25 anos que mais perderam emprego na iniciativa privada:

Fonte: Revista Exame – 27/03/2018

Mesmo com estes dados, a Sondagem da Construção, pesquisa mensal da FGV, mostra que houve significativa melhora no índice de confiança ao longo do ano de 2017, sinalizando que o pior ficou para trás. A recuperação do setor, em 2018, deve ficar em torno de 2%, segundo o instituto. Mesmo com a perspectiva positiva para o ano, um problema se instaurou e precisa ser resolvido.

Com a crise e a saída de tanta mão de obra qualificada do setor, houve uma avalanche de abertura de microempresas (ME’s e MEI’s) para a prestação de serviços de engenharia, o que tornou o ambiente ainda mais competitivo, levando a uma degradação de honorários de empresas já estabelecidas e consolidadas. “A dificuldade que a gente vê, depois de uma crise, é que os honorários continuam deprimidos, pela falta de volume de serviços adequado e, muitas vezes, não correspondem àquilo que possa remunerar a prestação de serviços adequadamente. Muitos concorrentes se dispõem a trabalhar com honorários menores e, muitas vezes, isto não quer dizer que seja com o mesmo tipo ou nível de prestação de serviços”, ressalta Carlos Miller, sócio e diretor da PLANSERVICE.

Foi pensando neste contexto que a PLANSERVICE propôs um debate para discutir os novos rumos do gerenciamento de obras após a crise e propor soluções. O evento foi realizado na sede da PLANSERVICE em São Paulo, no dia 22/03, e contou com a participação do Engº. Fernando Fahham, Sócio-Diretor da PLANSERVICE; Engº. Carlos Miller, Sócio-Diretor da PLANSERVICE; Ênio Padilha, Consultor de Marketing para Engenharia; Maurício Iazzetta, Gerente Sênior de Projetos e associado responsável pela área de Novos Negócios; e Adriana Souza, Gerente Sênior de Projetos e associada responsável pela área de Coordenação de projetos. Como resultado, o debate gerou um material de altíssima qualidade, no qual foram usados recursos de gravação audiovisual. Os trechos editados do vídeo podem ser visualizados no canal da PLANSERVICE no Youtube: clicando aqui ou na imagem abaixo:

O vídeo na íntegra e o restante do debate você poderá conferir na próxima edição, no mês de maio. Os principais destaques da 1ª parte do evento você acompanha a seguir.

Crise é oportunidade

“A crise é uma certeza, ela é cíclica. Então temos que nos preparar para a próxima, que pode ser daqui a 5, 10 anos.” Com esta frase, Ênio Padilha, engenheiro, professor e autor de livros sobre Gestão de Carreira e Administração de Escritórios na Arquitetura e Engenharia, abriu sua participação no debate. “E sempre, em uma crise, a prestação de serviços é a última área que reage depois de uma recessão. É a primeira que sente e a última a se recuperar”, afirma Ênio. A PLANSERVICE é uma prestadora de serviços na área de Engenharia, que foi o setor mais afetado pela crise e em cujo cenário seus impactos foram ainda piores. Em um momento como este, no entanto, pode-se transformar a crise em oportunidade. “Se não há nada que se possa fazer no cenário macroeconômico, a empresa tem a oportunidade de se reorganizar, se reestruturar, reavaliar sua posição no mercado e as oportunidades e trazer alguma inovação, para, na hora da retomada, ter um diferencial perante seus concorrentes”, diz Maurício Iazzetta.

De acordo com Adriana Souza, houve realmente uma estagnação no mercado, mas o período foi importante para as empresas melhorarem os estudos de viabilidade dos projetos para mitigar os riscos e otimizar processos. “Para nós, mais uma vez, a crise serviu de aprendizado, um período para a construção civil se adequar à utilização de novas ferramentas, como o BIM - Building Information Modeling, o que só é possível se a empresa tem uma oportunidade de fazer uma pausa para respirar, quando os projetos não atropelam o dia a dia para a implementação destas mudanças. Assim, pudemos nos reestruturar para nos tornarmos mais eficientes”, diz.

“Nós, da PLANSERVICE, tomamos uma série de medidas para mantermos nossa estrutura ativa e operacional neste período de crise, prontos para esta retomada o mais breve possível”, afirma Engº. Carlos Miller, Sócio-Diretor da PLANSERVICE. E parece que chegou a hora, afinal, o mercado começa a esboçar uma tímida melhora.

Segundo uma pesquisa recente do ManpowerGroup, hoje há mais empresas (12%) que pretendem aumentar o número de funcionários do que reduzir o ritmo de contratações (11%). Isso ocorreu pela primeira vez em dois anos. E, apesar dos pesares, o alavancador econômico do Brasil continua sendo o setor de infraestrutura, o que, cedo ou tarde, levará a uma nova aceleração do setor de engenharia.

Comunicar para gerar valor

Entre os problemas surgidos durante a crise, com a enxurrada de novos microempresários entre as empresas de gerenciamento, algumas práticas adotadas por empresas contratantes acabaram por acarretar numa degradação de honorários. “Vemos que alguns clientes passaram a agir como se estivessem comprando uma commodity industrializada, de prateleira, algo mensurável, com especificações de peso, densidade, quantidade, embalagem, etc., quando, na verdade, estamos falando de um serviço, que deve ser baseado na entrega de performance e desempenho e que possui características técnicas que por vezes não estão sendo observadas e/ ou consideradas”, ressalta Miller.

Segundo Miller, uma prática que vem se tornando comum em algumas empresas é um processo de compras através de “Leilão Reverso”, ou seja, cria-se ou contrata-se uma plataforma onde todo o processo de licitação e concorrência ocorre, não permitindo nenhum contato entre contratante e fornecedores, restringindo todo o processo apenas ao uso da ferramenta. “Como é que conseguimos demonstrar a nossa experiência, discutir o projeto, suas necessidades e soluções, em um processo que só visa uma equalização padrão entre os fornecedores e o menor preço, sem levar em conta a inteligência que faz o diferencial de cada empresa”, complementa Maurício Iazzetta. Um exemplo disso são os pedidos de propostas que especificam e determinam uma equipe previamente definida em termos de perfil, número de profissionais e tempo de ocupação para um determinado serviço, sem levar em conta a possibilidade de que o mesmo serviço poderia ser feito mais adequadamente e com melhor performance, qualidade e resultado com uma equipe de perfil e número de profissionais diferente, com base na  experiência, qualificação dos profissionais, tecnologia e especialização da empresa prestadora de serviços, e acrescente-se aqui, muitas vezes com um menor investimento ou desembolso pelo contratante.

Para mudar essa dinâmica, é fundamental realizar um trabalho de comunicação efetiva. “É preciso dar um apoio aos clientes que, no momento da crise, optam por um prestador de serviços com honorários mais baixos, sem levar em conta a qualificação e o potencial diferencial de performance no resultado. É preciso se empenhar em mostrar o que é o serviço de engenharia, como comparar uma empresa com outra e quais os parâmetros que devem ser levados em conta na hora de uma contratação. Se não houver essa conscientização, o cliente vai comprar errado, vai escolher o mais barato e este barato vai sair caro”, alerta Ênio Padilha, Consultor de Marketing para Engenharia.

De acordo com ele, a comunicação não serve apenas para vender o serviço, mas também para manter os stakeholders envolvidos. Ou seja, deixar os stakeholders cientes de que aquilo que foi vendido está sendo entregue. “É preciso ter a consciência de que não basta ir lá e concluir uma parte da tarefa, não basta fechar um determinado processo, você precisa comunicar a entrega desse processo de forma interessante”, diz Padilha.

Para o especialista, a melhor maneira de fazer o cliente valorizar o trabalho da gerenciadora é mostrar quanto tempo e quanto dinheiro a contratação da sua empresa vai economizar para ele. “Fazer com que o cliente perceba que se ele tiver de fazer esse trabalho tão bem quanto você ele irá gastar muito mais, então, é mais vantagem contratar você. Você é o olhar do cliente na obra, não é apenas mais um fornecedor. E isso deve ficar claro para o cliente”, aconselha.

Segundo Fahham, no mercado hoje existem duas visões diferentes sobre o que é a atividade de Gerenciamento. “Para muitos clientes, o Gerenciador é um mero auditor, que apenas certifica se o prazo e o custo estão sendo cumpridos e se o projeto que está especificado está sendo executado, já a visão mais abrangente que deveria ser entendida pelo mercado é que no trabalho de Gerenciamento, é fundamental que se invista tempo na análise prévia de riscos, devendo ser feita desde o desenvolvimento do projeto, durante o período de contratações e ao longo de toda a vida da obra. Essa análise também deve contemplar a mensuração e quantificação em termos de valores, quais os impactos em termos de prejuízos ou quanto se deveria investir para minimizar os riscos.”

De acordo com ele, “o Gerenciador que não se paga, por não ter poupado o cliente de custos adicionais ou antecipação de riscos, é um mau Gerenciador. Em diversos contratos, a PLANSERVICE recuperou todo o custo do contrato de Gerenciamento em apenas poucas negociações”. Mas nem sempre essa economia gerada pela gerenciadora fica evidente e é aí que ela deveria melhorar a sua comunicação. “Às vezes você está tão envolvido no processo que comunica estritamente o necessário para o andamento da obra, mas esquece de valorizar o seu trabalho. Precisamos comunicar não apenas o que foi feito, mas que foi bem feito porque a PLANSERVICE estava lá”, acredita Iazzeta.

Tecnologia no DNA

Um dos grandes diferenciais da PLANSERVICE é o uso de novas tecnologias. Desde sua criação, a empresa sempre saiu na frente neste quesito: em 1989 já fazia uso do computador para o controle de prazos e custos de projetos e, no início dos anos 90, contava com computadores em rede, o que naquela época, era vanguarda, novidade até mesmo para as gigantes da engenharia. “Hoje estamos buscando ferramentas que permitam que a gente seja mais eficaz na prestação de serviços. Já utilizamos drones nas nossas inspeções, que podem entrar nos edifícios para mapeá-los. Esta tecnologia, aliada ao BIM, é muito útil”, avalia o Engº. Fernando Fahham, Sócio-Diretor da PLANSERVICE. “Utilizamos também softwares e aplicativos que você baixa no celular, que nos permitem registrar uma determinada situação, apontar o que precisa ser feito e quem deve ser acionado para realizar o que é preciso, que receberá um relatório em tempo real”, ressalta.

A PLANSERVICE também iniciou estudos e planejamento utilizando a tecnologia BIM 4D, ilustrando além do andamento da obra ao longo do tempo, o plano de ataque de sua execução. A pedido da PW Construções, desenvolveu um modelo 4D de finalização das obras de um centro de distribuição em Mauá/SP, onde o planejamento da obra foi animado por meio de um modelo tridimensional do próprio edifício, que foi inteiramente desenvolvido pela gerenciadora.

“O BIM é um software de conteúdo que permite à gerenciadora receber o modelo do que está sendo feito, estabelecer prazos e, numa etapa seguinte, codificar o projeto todo, fazer o orçamento”, revela Fahham. “Mas o mais importante é que o BIM possibilita atualizar as informações durante todo o projeto, de modo que, quando chegar lá no final e a obra for entregue, o proprietário terá todas as informações para que possa fazer a manutenção, saberá tudo que é necessário. É um instrumento para você gerenciar a edificação ao longo de toda a vida útil dela, não apenas durante a execução da obra”, finaliza.

A PLANSERVICE aproveitou a desaceleração durante a crise para se aprimorar ainda mais em novas tecnologias, buscar o que existe de mais moderno e treinar a equipe para fazer o melhor uso dessas ferramentas, para tornar as informações relacionadas aos projetos muito mais confiáveis. “De início, até conhecer bem as ferramentas, pode parecer mais demorado e mais oneroso utilizá-las. Mas no fim, essas ferramentas farão com que os profissionais de engenharia e arquitetura tenham mais tempo para executar sua expertise, que é a de analisar os dados. E nisso o material humano é insubstituível”, acredita Adriana Souza.


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